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Archive for the ‘Uncategorized’ Category

Sensacional artigo do Luiz Caversan na Folha de hoje.

Faz-nos refletir sobre a cultura do desperdício, que vai além da água que hoje tanto falta, e que tem ruído aos poucos há muito tempo, em meio à cultura do consumismo.


 

Quando foi que nós nos perdemos?
Luiz Caversan
http://www1.folha.uol.com.br/colunas/luizcaversan/2015/01/1583272-quando-foi-que-nos-nos-perdemos.shtml

Quando ou onde foi que nós nos perdemos?

Quando, ou onde, passamos a ser as pessoas perdulárias, esbanjadoras, desperdiçadoras, sem noção que nos tornamos a ponto de estarmos correndo o risco –iminente, real, assustador– de não ter água para encher um copo e beber?

A cada novo auto-desmentido das “autoridades”, a cada nova reportagem prenunciando o caos, a cada vez que é possível perceber o ridículo da situação em que nos encontramos, o sentimento que invade a alma é de vergonha. Vergonha de perceber que nos perdemos, e fico pensando: quando foi, onde foi?

Dias atrás tive duas conversas isoladas com amigos, nada a ver um com o outro, tudo a ver o espírito da coisa.

Na primeira, lembrávamos do tempo em que a gente ganhava presente –Natal, aniversário, dia da criança ou coisa assim– e guardava o papel. Sim, sobretudo se o papel fosse bem bonito, o presente era desembrulhado cuidadosamente para que a embalagem pudesse ser preservada, dobrada com todo o esmero e depois guardada numa gaveta –havia uma cômoda na casa da minha mãe em que as folhas ficavam ali, protegidas e lindinhas, para serem usadas na ocasião mais propícia. Nem pensar em rasgar e jogar fora, embora não houvesse nem sombra da consciência da reciclagem ou da preservação. Havia capricho, talvez bom senso ou comedimento em nome da praticidade e da beleza. Quando isso acabou?

Na outra conversa, eu lembrava da maratona que era, no começo dos anos 60, ir da capital paulista ao litoral – Santos, São Vicente ou, o destino mais popular desde sempre, Praia Grande.

Seja qual fosse o ponto de partida ou o destino dentre estes, havia sempre parada obrigatória em uma das muitas bicas de água potável disponíveis ao longo da Via Anchieta. Eram galões, garrafões ou mesmo prosaicos litros de vidro vazios, que o povo enchia com a água cristalina que brotava abundante daquele trecho sinuoso e belo da Serra do Mar. Era água boa, valorizada e respeitada. Quando foi que isso acabou?

Quando passamos a pagar mais de R$ 50 por uma reles pizza de queijo barato? Quando passamos a deixar restaurantes de bom preço para frequentar bistrôs de cardápios exorbitantes? Quando o muito passou a ser mais do que o melhor?
Quando nos tornamos tão imbecis?

Será que foi quando os irmãos mais novos deixaram de usar, felizes da vida, as roupas boas dos irmãos mais velhos? Ou quando passamos a jogar fora livros didáticos? Ou ainda quando deixamos de nos incomodar com os pratos de comida abandonados pela metade por estas crianças escravizadas que criamos, cheias de vontades e sem nenhum respeito pelo mundo que as cerca?

Será que a água que vai faltar nos devolverá alguma vergonha, aquela que tínhamos na cara quando a vida era mais simples, decente e feliz?

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Chega de saudades …

Filha,

Papai te escreve estas mal traçadas linhas a 15.000 pés de altitude, às 2:30 da manhã do fuso local (da Espanha), de dentro do voo Alitália sobrevoando algum ponto do Deserto do Saara.

Ele esteve com vovô por 10 dias na Espanha, perambulando por Barcelona e Madrid em merecidas férias do trabalho. Eles puderam curtir futebol de excelente qualidade – Barça 7 x 0 Osasuna em pleno Camp Nou, e em seguida Barça 4 x 3 Madrid em pleno Santiago Bernabeu: no futuro breve, você terá a dimensão do prazer que é ver, ao vivo e em cores, Messi, Neymar, Cristiano Ronaldo e companhia atuarem em sua melhor forma.

Mais do que futebol, papai pôde curtir em particular a convivência com seu vovozinho Luiz, a quem vc infelizmente vê apenas em vídeo chamadas no Skype e férias periódicas em Goiânia.

Em 2013, por ocasião da reabertura do Maracanã, papai e ele foram juntos ao Rio de Janeiro ver Brasil e Inglaterra e pudemos redescobrir o prazer de estarmos juntos, SÓ NÓS DOIS, pai e filho, soltos, andando pela cidade afora, curtindo bom futebol, conhecendo lugares diferentes, comendo bem (muito bem !), tomando todas e de férias de tudo e de todas – trabalho, obrigações, compromissos, horário pra acordar e – porque não – mamãe e vovó Fátia.

Papai deseja que, um dia, você tenha tanto prazer em curtir com ele essas escapadas – futebolísticas ou não – que ele tem em fugir com com vovô e viajar mundo afora. E que tolere – mais do que isso, saboreie – as idiossincrasias dele tanto quanto ele desfruta daquelas proporcionadas por vovô : a desatenção ao perder o horário do voo em Gyn e chegar em cima da hora do voo em SP, as piadas repetidas, o inglês macarrônico, a paixão pelo Atlético Clube Goianiense. Mas este assunto daria para um livro, e portanto fica para um futuro post.

Papai quer lhe falar como você faz falta.

Qdo soube que vc estava na barriga de mamãe, dei a notícia exultante a vários dos colegas do MBA, além de professores e funcionários de Berkeley. Uma pessoa especial, Sheri Locksin, me congratulou dizendo que “your life will never be the same, and you will never – ever ! – want it to be”. Só hoje posso entender o quanto ela falava a verdade, como mãe e do alto da sua própria experiência e sabedoria.

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Em meio à viagem, cada vez que mamãe mandava uma fotinha sua via WhatsApp – como aquela acima –  papai se surpreendia com o quanto você cresceu! De repente, em 10 dias, você já está cabeluda, bochechuda, andando por todo lado e falando de tudo (“Tólo ! Passeá ! Prinxeza ! Luppy, não pode! Dodói ! Bateu! Abu (chupeta), Cainha (Clarinha), É Lólly, Vou ti pedá”).

Onde foi parar aquela menininha que papai levava à tiracolo para tomar sol em Berkeley (com mamãe parecendo uma galinha choca querendo cobrí-la por causa do vento) ? Ela, que parecia uma boneca de porcelana de tão pequena e delicada, agora já virou uma mocinha, que vai fazer 2 anos agora em Maio ? Em breve, me aparece em casa para apresentar alguém …  “Papai, queria de apresentar o XXXX (substitua pelo nome do infeliz), meu namorado!”.

Filha querida, seu pai já se acostumou com a saudade cotidiana, diária, da menina dele que vai pra escola e ele fica com saudades no meio da tarde. Ainda sofre, embora tolere, a saudade das viagens suas com mamãe, qdo ficamos um fim de semana longes um do outro, e papai sente sua falta como se a casa estivesse vazia. Tudo no lugar – brinquedos, bonecas – e tudo fora de lugar, como tudo sempre fica qdo vc está solta pela sala.

Nesta ocasião, entretanto, 10 dias sem ver a minha princesinha foram mais do que o velho coração de pai de primeira viagem possa aguentar. Dor de saudade na alma, lágrimas nos olhos.

Em meio às multidões no Parque Guell, nas Ramblas, em Barceloneta ou na Plaza Mayor, papai ficava o todo tempo vendo as crianças com seus pais, e era impossível não me lembrar de você. A cada menininha de 2 anos que corria solta, ele tentava procurar seu rostinho sorrateiro, sua risada marota, sua corrida já não mais cambaleante. Tinha a sensação de que, se agachasse e abrisse os braços, como sempre faço, você poderia surgir de algum lugar, sorriso no rosto, e vir correndo me abraçar, já pulando antes mesmo de chegar, como sempre faz, certa de que papai estaria ali pra te segurar.

A cada balão do Atlético que vovô tirava do bolso, enchia e entregava a uma criança (para surpresa dos pais e êxtase das crianças presenteadas), papai se punha a lembrar de você. Em cada bibelô, em cada lembrancinha, em cada boneca, em cada roupa de bailarina flamenca, lá estava a imagem da minha Julie. Na loja oficial do Barça, a personalização com o seu nome do uniforme oficial no seu tamanho diminuto foi simplesmente irresistível:

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Papai dormia e acordava pensando em você. Estará minha princesinha dormindo bem ? Meu Deus, ela está acostumada a me ver adentrando o quarto quando ela acorda sobressaltada no meio da noite … como terá sido suas noites de pesadelo quando, ao despertar chorando no berço em meio ao quarto escuro, não é papai quem vem acalmá-la ? Será que ela pensa que papai a abandonou ?

 

Nestas ocasiões choro incontido, qdo acorda gritando por mamãe (será porque não grita por papai ?), eu entro no quarto deixando uma fresta de luz no corredor para vc me enxergar, falo que está tudo bem, que mamãe está descansando, que vc pode dormir tranquila e que estamos aqui do seu lado e passo a mão no seu cabelinho desgrenhado e já todo grudado no rosto molhado de lágrimas. Invariavelmente, você se acalma, deita de novo, fica me olhando quietinha para se certificar de que não vou fugir, até se render ao sono como uma anjinha abraçada com a Filó, sua bonequinha de pano, e a Charmosa, sua colchinha felpuda em formato de cachorrinho. Papai sai do quarto com o sentimento de dever cumprido, orgulho e auto-estima de campeão olímpico. De ex-estagiário de mamãe a encantador de princesinha chorona é uma promoção e tanto!

 

Filha, papai não vê a hora de este avião pousar, para ele sair correndo e pegá-la na escolinha, ler para você este blog post que ele compartilha também com o resto do mundo, te dizer o quanto meus dias são incompletos sem ter a sua pequenina presença para alegrá-los, o quanto a vida vale a pena só por você existir, e te falar olhando nos seus olhinhos o quanto ele te ama.

Do seu pai,

Fábio

PS.: Da próxima vez, conforme seu próprio desejo registrado na foto abaixo, papai te traz na mala !!!!

 

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Pelo futebol arte

 

 

E surpreendentemente, após finalmente encontrar um maior padrão de jogo para a Seleção e vencer a Argentina no Superclássico das Américas, Mano é abruptamente demitido por José Maria Marin.

Naturalmente, a derrota nas Olimpíadas e a falta de consistência pesaram, mas a razão da demissão obviamente não é de ordem técnica. Mano tem seus defeitos, em particular a frieza, o excesso de meta-frases, convocações duvidosas (Hulk ?) e uma vinculação com o Corínthians, não exatamente uma unanimidade nacional.

A web está repleta de informações sobre a demissão, mas falta exatamente o essencial – o porquê, a justificativa, o racional, o critério. A entrevista de Andrés Sanchez para explicar a demissão é um exemplo bem acabado de evasivas e falta de conteúdo. “O presidente deseja novo planejamento, métodos e critérios”. Quais métodos e critérios, cara pálida ? E, se você, que é Diretor de Seleções, não concorda, pq. fica sentado na cadeira ? Para “respeitar a hierarquia”? Agora a CBF virou exército ?

Parece-me que o motivo é claramente político: Marin deseja dar uma demonstração de força para diminuir e enquadrar exatamente o próprio Andrés Sanchez, natural postulante ao cargo de presidente da CBF, e que tem forte ligação com o treinador, a quem recrutou enqto presidente do Corinthians.

Virada a página, resta olhar pra frente. E para cima. E lembrar que Seleção Brasileira é paixão nacional, e um dos poucos ícones no país em que TODO MUNDO projeta valores de primeiro mundo: qualidade, competência, resultados, futebol arte, vitórias, seriedade, superação, entrega, comprometimento, espetáculo. Se o dia a dia do restante do país – no trabalho, na política, na moralidade pública – fosse assim, já seríamos há muito um país de Primeiro mundo.

E é exatamente por isso que, POR FAVOR, não me venham com nomes como Luiz Felipe Scolari. Nada contra o técnico, campeão mundial em 2002, mas o Brasil precisa almejar no Futebol o melhor, o excepcional, o utópico, o sinônimo de vencedor e de profissional de futebol arte e de resultados. Que esteja  acima da própria mesquinharia política caseira da CBF.

E, convenhamos, só existe hoje um nome no Mundo que reflita estas características: Pep Guardiola.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ele que inclusive já sinalizou seu interesse e disponibilidade para assumir a Seleção canarinho imediatamente, conforme notícia do editor do Lancenet.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fica aqui o meu voto público.

Vem, Pep, e traga para a seleção o trabalho invejável que vc fez no Barcelona, para coroar ainda mais sua carreira vitoriosa, e incendiar este país em 2014.

 

 

 

 

 

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Palmeiras rebaixado

 

 

 

 

 

E o Palmeiras caiu para a 2a divisão do Campeonato Paulista …

Depois de meses agonizando após ganhar a Copa do Brasil, o Palmeiras caiu. E não demorou nada para já começarem as gozações.

Por incrível que pareça, o próprio Presidente não ajudou ao ir para a praia, no dia seguinte ao empate com Flamengo, para desestressar. Obviamente, a vaca (ou melhor, o porco …) já tinha ido pro brejo, mas alguém com tamanha falta de sensibilidade não pode ter capacidade para presidir um time grande.

 

 

 

 

 

 

 

E, como toda zoação digna de nome, não demoroua pintar a melhor delas: o vídeo do Hitler sendo informado do rebaixamento.

Simplesmente sensacional 🙂

Chora, porcada !!

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De prender o fôlego …

Algumas mulheres literalmente me fazer perder o fôlego !

E não só pela beleza (atributo que herdou do pai), mas também por prenderem meu nariz 🙂

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Felicidade

Agora tem um nome, um rosto, um cheiro característico, milhões de dobrinhas, uma boca banguela com um dentinho saltando, uma gargalhada contagiante.

Uma mãe maravilhosa.

Um pai apaixonado.

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Leadership

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Leadership …

So much hyped, and hardly practiced. People even have a hard time even defining the term. As always, it is hard to grasp sth. that is not even easily defined.

Today I ran into another posts of my all-time favorite writer, Peter Bregman, from HBR, entitled “The Emotional Adventure of Leadership“. One of my goals for this year is translate to Portuguese and also blog about each new post he writes from now on. This would be a way for me to re-read, and reflect, on his thoughts, profound lessons and, above all, greatly engaging way he uses personal storytelling to drive his message home.

One can not help but savor the wisdom on words such as his thoughts on emotions of leadership,

If you want to be a powerful leader, you have to become familiar with the sweat-inducing, anxiety-producing, adrenaline-generating emotions of being lost while people are following you. Because that is, as often as not, the emotion of leadership.

Hope you also enjoy and reflect on the reading, and subscribe to his posts (or my blog 😉 and follow him at @peterbregman.

Thanks, Peter.

Fábio

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