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Archive for the ‘Personalidades’ Category

Danuza Leão na Folha de hoje, com reflexões sobre a percepção quanto à felicidade: você foi, É ou será feliz ?

Delícia de leitura, como todo texto da Danuza.

Eu ? Eu tenho sido e sou o cara mais feliz do universo. Posso ler, ouvir, respirar, caminhar, praticar esportes, estudar e viajar. Tenho todos os membros do corpo intactos, ainda que com a barriga ligeiramente avantajada. Baita tesão, muita imaginação, haja motivação, embora não sobre muito tempo, e sempre falte dinheiro.

Tenho uma família maravilhosa, ainda que a milhares de kms de distância, uma companheira para todas as horas e duas das cachorrinhas mais lindas do planeta. Sempre tive acceso à melhor educação disponível, da pré-escola à graduação, e inclusive agora com o MBA na Univ. da Califórnia em Berkeley.

Trabalho com o que adoro – web, software, vendas, Internet, biz dev, mobile  – e ainda sou pago para isso. Tenho no Banco o suficiente para não preocupar com o aluguel no mês que vem, mas não para comprar um iate.

Tenho alguns, poucos, bons amigos (ou ainda, amigas), para todas as  horas, apesar da distância. Tenho um bom teto sobre a cabeça, posso viajar o mundo todos os anos, comer em bons restaurantes, embora nenhum deles jamais tenha superado o mexido da minha saudosa vovó Bela, a pamonha da tia Deja, o arroz com suan de mamãe ou o strogonoff de camarão da minha nega.

Se tudo isso não é felicidade na veia, o que mais pode ser !?

Espero que curtam o texto da Danuza.

Fábio, o felizardo

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DANUZA LEÃO

Responda, se tiver coragem


Até porque a felicidade é sempre coisa do passado ou do futuro -ah, como foi bom, ah, como vai ser bom


VOCÊ É FELIZ? A essa pergunta, tão curta e aparentemente tão simples, ninguém responde rápido, nem que sim nem que não.
A resposta costuma ser tipo “bem, quando penso na situação da maioria dos brasileiros, não dá para dizer que eu seja infeliz”. Não foi essa a pergunta, as pessoas sempre se enrolam.
É difícil mesmo, até porque a felicidade é sempre coisa do passado ou do futuro -depois que o apartamento for comprado, as férias foram maravilhosas, quando a filha se casar, quando arranjar um namorado ou quando me separei, ah, como foi bom, ah, como vai ser bom. Sempre antes ou depois.
As pessoas têm um certo pudor de confessar que são felizes; somos todos supersticiosos, e se queixar um pouco da vida faz parte, para não despertar a inveja dos amigos e a ira dos deuses. E mais: na hora em que se é feliz não se tem consciência do que está acontecendo -complicada, essa tal de felicidade.
O que não se deve é confundir: acontecem às vezes momentos maravilhosos em lugares deslumbrantes, com pessoas incríveis, e se imagina que aquele é um dos grandes momentos da vida, se imagina até mesmo que aquilo é a felicidade. Anos depois, desses momentos só vai sobrar uma foto, se sobrar, e na memória, quase nada; no coração, nem pensar. Bom mesmo é ser feliz e perceber; quando você come um chocolate bem gostoso, é melhor achar bom na hora ou dois anos depois?
Para isso é preciso um certo treino: o dia de hoje, por exemplo, está sendo bom, ruim ou regular? Pense um pouco: aconteceu alguma coisa boa desde que você acordou? Não? Mas nada mesmo? Será? Para começar, você acordou, abriu os olhos e viu a luz do dia; quando abriu a torneira, tinha água, o jornal estava na porta, e os gatos brincando. E mais: com um dia inteiro pela frente, dá para tomar certas decisões, do tipo “hoje vou ser feliz”. Já é um começo.

É bem verdade que às vezes a vida não dá trégua, mas com o tempo a gente aprende a se defender, e uma boa estratégia é evitar qualquer discussão, e dizer sim a tudo. Quando ouvir um “você engordou um pouco”, diga que é verdade, e que está péssima -dizer que está péssima atrai as simpatias gerais. Ache graça em tudo o que disserem e peça opinião sobre tudo: do namorado com quem não sabe se deve se casar ou abandonar para sempre até qual a melhor dieta -o que não quer dizer que vai seguir quaisquer dos conselhos.
Com isso está comprando seu sossego, isto é, sua felicidade, o que não tem preço.

E sua personalidade, suas opiniões, onde ficam? Ora, não há nada mais insuportável do que pessoas que têm opinião; bom mesmo são as que concordam com a gente o tempo todo. E pensando bem, não custa nada dizer sim, sim, sim. Afinal, não é um preço assim tão alto para que todos sejam felizes.

E você? Bem, querer que todos sejam felizes e você também é querer demais, mas mesmo assim, não custa lembrar: ser feliz, ao contrário do que dizem, não é pecado.

PS – O grande escândalo do diretor do FMI me fez pensar. A arrumadeira entrou para arrumar o quarto; ele, que estava no banheiro, abriu a porta (nu) e viu a moça. Imagino que seja preciso um tempo para que o desejo masculino aconteça; tempo suficiente para ela sair correndo (e à visão do personagem em questão, nu, mais correndo ainda). Lembro de Mike Tyson que, anos atrás, convidou uma moça para subir em seu quarto de hotel; ela, pobre inocente, aceitou, depois o acusou de tentativa de estupro, e o lutador foi condenado a seis anos de cadeia. Ah, essa América puritana.

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Sheryl Sandberg

Sheryl Sandberg é COO (Chief Operation Officer) do Facebook. Na prática, tendo em vista que o CEO, Mark Zuckerberg (27 anos), é o empreendedor, fundador e envolvido no dia a dia do produto – no caso, a plataforma – ela é quem toca o dia a dia da empresa do ponto de visto do negócio.

Após vir aos EUA para o MBA, pude acompanhar mais de perto a carreira desta mulher, graduada em economia e com MBA em Harvard, trabalhou no Treasury Department (versão local do Ministério da Fazenda), desempenhou papel fundamental como Vice Presidente Global de Operações & Vendas do Google e em seguida se transferiu para o Facebook.

Na semana passada, Sheryl proferiu o discurso de formatura na Faculdade Barnard, da Univ. de Columbia, exclusiva para mulheres e reconhecida pelo alto nível de qualidade na educação. Sua fala reconhece avanços no papel da mulher no mercado de trabalho, mas também ressalta o quanto elas têm de avançar, citando número de mulheres no alto escalão de corporações, universidades e cargos de liderança. Em particular, me chamou a atenção sua referência às pequenas decisões cotidianas, relacionadas ao balanço na vida pessoal e carreira, em que as mulheres acabam por se tolher e fechar as portas para oportunidades futuras.

Como neto de mulheres matriarcas e tendo tido uma mãe com personalidade própria, eu sou privilegiado por ter sido criado, e influenciado por mulheres tão inspiradoras. Pude também constatar o quanto tal educação pôde permitir que minha irmã pudesse crescer forte (até demais :-), ciente das suas oportunidades, desejos e capacidades profissionais e pessoais, muito além de simples dona de casa ou limitada às profissões então tidas como tradicionalmente “femininas”.

É sob esse prisma que espero poder criar minha filha, projeto para breve :-).

O discurso de Sheryl  é uma verdadeira inspiração para mulheres de todo o mundo. Decidi traduzi-lo para o Português, para permitir que outras mulheres – amigas, familiares e leitoras – possam se sentir também inspiradas. Se preferirem a versão em Inglês, leiam no Business Insider.

Com carinho para todas as mulheres brasileiras.

Bjks,

Fábio

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“Olhar para todas vocês aqui me enche de alegria, em parte porque minha colega de quarto na faculdade e membro do quadro de professores, Caroline Webber, está aqui. Carrie, estar na sua escola significa tanto para mim. E, em parte, porque eu trabalho no Vale do Silício, que, vamos dizer, eu normalmente não estou em uma sala com tantas mulheres como agora. Para os maravilhosos homens aqui presentes, se vocês se sentirem um pouco desconfortáveis, nós estamos realmente felizes de vocês estarem aqui, e não há fila para o banheiro dos homens. Vale a pena 🙂

Eu me graduei há exatos 20 anos. E, como sou lembrada a cada dia onde eu trabalho (Facebook), isso me faz parecer realmente velha. Mark Zuckerberg, nosso fundador e meu chefe, me disse outro dia: “Sheryl, quanto a crise de meia idade ocorre ? Quando você chega aos 30 ?”. Digamos que este não foi um dia feliz no escritório. Mas sou velha o suficiente para saber que a maioria das nossas vidas são preenchidas com dias dos quais não nos lembramos. Hoje não é um desses dias. Vocês podem não se lembrar de uma palavra do que eu direi. Vocês podem até não se lembrar de quem proferiu seu discurso de formatura, apesar de, para registro, Sheryl se escreve com S. Vocês não vão se lembrar de que estava chovendo e tivemos que nos mover para dentro deste espaço. Mas vocês vão se lembrar do que importa, que é como vocês estão se sentido enquanto se sentam aqui, à medida que caminham pelo palco e iniciam a próxima fase das suas vidas.

Hoje é um dia de celebração, um dia para comemorar todo o trabalho duro que permitiu que chegassem até aqui, quando vocês podem se sentar, sufocadas de tanto calor neste traje de formatura. Hoje é um dia de agradecimentos, um dia para agradecer a todos aqueles que te ajudaram a chegar aqui, às pessoas que te estimularam e ensinaram, que seguraram sua mão e enxugaram suas lágrimas. Hoje é um dia de reflexão.

No momento em que deixam Barnard hoje, vocês saem não apenas com uma educação, mas tomam seus lugares entre as afortunadas. Algumas de vocês vieram de famílias onde a educação era esperada ou enfatizada. Outras tiveram que superar muitos mais obstáculos para chegar aqui, e hoje se tornaram o primeiro membro de sua família a se graduarem na faculdade. Um feito impressionante. Mas, independente de onde começaram, no dia de hoje todas podem se considerar privilegiadas. Vocês são privilegiadas no sentido mais importante da palavra, que é o de terem oportunidades quase sem limites à sua frente. Então, a questão que fica é, o que vocês vão fazer com este privilégio ? O que farão com esta educação que deram tão duro para alcançar ? O que neste mundo precisa mudar, e que papel esperam ter em mudá-lo ?

Os ganhadores do prêmio Pulitzer Sheryl WuDunn e Nicholas Kristof visitarm este campus no ano passado e falaram sobre seu livro críticamente importante, Half the Sky: Turning Oppression into Opportunity for Women Worldwide.

No livro, eles afirmam que o desafio moral fundamental do século 19 foi a escravidão; do século 20, o totalitarismo; e do nosso século, a opressão de garotas e mulheres ao redor do mundo. Seu livro é um convite a pegarmos em armas, para dar direitos humanos básicos a todas as mulheres do mundo – mulheres que são exatamente como nós, à exceção das circunstâncias em que nasceram.

Comparadas com essas mulheres, nós somos sortudas. Na América, assim como no mundo desenvolvido por inteiro, nós somos iguais perante a lei. Mas a promessa de igualdade não é igualdade. Enquanto nos sentamos aqui com esta magnífica classe vestida de azul, nós temos que admitir algo triste, mas verdadeiro: os homens controlam o mundo. Dos 190 chefes de estado, 9 são mulheres. De todos os parlamentos do mundo, 13% dos assentos são ocupados por mulheres. De todos os empregos corporativos nos EUA, 15% são de mulheres; números que não têm se alterado em absoluto ao longo dos últimos 9 anos. Repito, 9 anos. De todos os professores em tempo integral nos EUA, apenas 24% são mulheres.

Eu reconheço que esta é uma vasta melhoria frente às gerações do passado. Quando minha mãe teve sua vez para se sentar na sua formatura de graduação, ela imaginava ter apenas 2 opções de carreira: enfermeira ou professora. Ela criou a mim e minha irmã para acreditarmos que podíamos ser qualquer coisa, e nós acreditamos nela. Mas o que é tão triste – isso não faz me sentir apenas velha, mas realmente triste – é que minha geração não vai mudar este problema. Mulheres se tornaram 50% do universo de graduados neste país em 1981, 30 anos atrás. 30 anos é tempo mais do que suficiente para que aqueles graduados chegassem ao topo das suas carreiras, mas não estamos nem perto de ter 50% dos empregos no topo. Isso significa que quando as grandes decisões são tomadas, as decisões que afetam todos os nossos m undos, nós não temos uma voz egalitária à mesa.

Portanto hoje, nós nos viramos para vocês. Vocês são a promessa de um mundo mais igual. Eu verdadeiramente acredito que apenas quando tivermos verdadeira igualdade nos nossos governos, negócios, empresas e universidades, iremos começar a solucionar o problema moral central desta geração, que é a desigualdade de sexo. Precisamos de mulheres em todos os níveis, incluindo no topo, para mudar a dinâmica, remodelar a conversação, garantir que as vozes das mulheres sejam ouvidas e notadas, ao invés de negligenciadas e ignoradas.

Então minha esperança é que para todas vocês, para cada uma de vocês, é de que irão caminhar pelo palco e pegar seu diploma. Vocês irão sair hoje à noite, ou talvez por todo o verão, e celebrar. Vocês merecem. E então irão se dedicar de corpo e alma às suas carreiras. Vocês irão encontrar algo que amem fazer, e o farão com gosto. Irão escolher suas áreas de atuação e irão escalar em direção ao topo.

Então, que conselho posso dar-lhes par ajudá-las a alcançar este objetivo ? A primeira coisa é encorajá-las a pensar grande. Estudos mostram claramente que neste país, na parte da população com graduação, homens são mais ambiciosos do que mulheres. Eles são mais ambiciosos no dia em que se graduam na faculdade; eles permanecem mais ambiciosos a cada passo da sua carreira. Nós jamais iremos fechar a lacuna de realizações até que fechemos a lacuna de ambição. Mas se todas as mulheres jovens começarem a se inclinarem, nós podemos fechar a lacuna de ambição bem aqui, bem agora, se cada uma de vocês se inclinar. Liderança começa com aqueles que a exercem. Liderança começa com vocês.

O passo seguinte será que vocês terão que acreditar que si mesmo potencialmente mais do que acreditam hoje. Estudos mostram que comparadas aos homens, as mulheres subestimam sua performance. Se perguntarem a homens e mulheres questões sobre critérios completamente objetivos, como GPA (grade point average, notas da faculdade) ou metas de vendas, homens irão errar ligeiramente para cima; mulheres irão errar ligeiramente para baixo. Mais importante, se perguntarmos a homens porquê foram bem sucedidos, eles irão atribuir tal sucesso a si mesmos; e as mulheres, atribuirão a fatores tais como trabalho duro e ajuda externa. Pergunte a uma mulher porquê ela mandou bem em algo, e ela dirá, “Tive sorte. Todas estas pessoas me ajudaram. Eu dei duro.” Pergunte a um homem, e ele dirá ou pensará, “Que pergunta tola. Eu sou brilhante”. Então as mulheres precisam aprender com os homens e seu próprio sucesso.

Isto é  muito mais fácil de falar do que de fazer. Eu sei disso por experiência própria. Ao longo da minha caminhada, eu tenho tido todos estes momentos, não apenas durante parte do tempo; eu diria que a maior parte do tempo, quanto eu não me senti possuidora do meu próprio sucesso. Entrei na faculdade e pensei o quanto meus pais me ajudaram com meus ensaios escritos. Fui para o Depto. de Tesouro porque tive sorte de ter assistido às aulas corretas que me levaram ao Tesouro. Google, eu entrei a bordo de um foguete que me levou para cima como todo mundo.

Até hoje, eu tenho estes momentos. Eu tenho estes momentos o tempo todo, provavelmente mais do que vocês podem imaginar que eu teria. Eu sei que preciso fazer alguns ajustes. Eu sei que preciso acreditar em mim mesma e levantar a minha mão, porque eu estou me sentando próximo de algum cara e ele pensa que é brilhante (referindo-se à Mark Zuckerberg). Então, para todas vocês, se vocês não se lembrarem de nada mais de hoje, lembrem-se disso:
“Vocês são brilhantes”. Eu não estou sugerindo que sejam cheias de si. Ninguém gosta disso em homens ou mulheres. Mas eu estou sugerindo que acreditarem em si mesmas é o primeiro e necessário passo para chegar mesmo perto de alcançarem seu potencial.

Vocês devem também saber que há forças externas lá foram que lhes dificultam realmente serem possuidoras do seu sucesso. Estudos têm mostrado – e, sim, eu meio que gosto de estudos – que sucesso e o carisma são positivamente correlacionados para homes e negativamente correlacionados para mulheres. Isto significa que à medida que homes se tornam mais bem sucedidos e poderosos, ambos – homens e mulheres – gostam mais deles. À medida que mulheres se tornam mais poderosas e bem-sucedidas, todo mundo, mulheres inclusas, gostam menos delas.

Eu senti isso em primeira mão. Logo quando entrei no Facebook, havia um blog popular na Califórnia que dedicou alguns incrivelmente sérios pixels a me esculhambar. Fontes anônimas me chamavam de mentirosa, duas-caras, prestes a arruinar o Facebook para sempre. Eu chorei um pouco quanto estava sozinha, eu perdi muito sono. E então eu disse para mim mesmo que isso não tinha importância. E então todo mundo me disse que não tinha importância, o que me fez lembrar de uma coisa: eles estavam lendo também. 🙂  Eu fantasiei com todo os tipos de respostas, mas no final, minha melhor e única resposta foi apenas fazer o meu trabalho e fazê-lo bem feito. Quando a performance do Facebook melhorou, a conversa fiada foi embora.

Se eu acredito que fui julgada de forma mais dura por causa dos meus cromossomos XX ? Sim. Se eu penso que isto vai acontecer comino novamente na minha carreira ? Com certeza. Eu disse a mim mesmo que da próxima vez eu não vou permitir que isso me importune, não vou chorar. Não estou certa de que isso será verdade. Mas eu sei que eu irei passar por cima disso. Eu sei que a verdade emergirá ao final, e eu sei como manter minha cabeça baixas e simplemente trabalhando.

Se vocês pensarem grande, se forem possuidoras do se próprio sucesso, se liderarem,  haverá apena custos externos, mas isso também lhes causará algum sacrifício pessoal. Homens faze muito menos abdicações que mulheres para balancear sucesso profissional e realização pessoal. Isso se dá porque a maioria do trabalho doméstico e cuidados com criança ainda sobra para as mulheres. Se um casal heterosexual trabalha em tempo integral, a mulher fará o dobro da quantidade de trabalho doméstico e o triplo de trabalho relacionado aos cuidados com a criança, se comparada com o marido. Da geração da minha mãe para a minha, temos feito muito mais progresso fazendo a força de trabalho mais igual do que fazendo o lar mais igual, e o último está machucando o primeiro bastante dramaticamente. Então é um pouco contra-intuitivo, mas a mais importante decisão de carreira que irão fazer é se terão ou não um parceiro(a) de vida e quem este(a) parceiro(a) é. Se vocês escolherem um parceiro disposto a compartilhar as dificuldades e prazeres da sua vida pessoal, vocês irão mais longe. Um mundo onde homens cuidassem de metade de nossos lares e mulheres gerenciassem metade de nossas instituições seriam um muito simplesmente melhor.

Eu tenho um filho de 6 anos e uma filha de 3. Eu quero muito mais opções para ambos. Eu quero que meu filho tenha a escolha de ser um parceiro completo não apenas no trabalho, mas também em casa; e eu quero que minha filha possa ter a opção de escolher qualquer de ambos. Mas se ela escolher o trabalho, de ser respeitada pelo que ela alcançar. Nós não podemos esperar até que o termo “equilíbrio de vida e trabalho” seja algo que não seja discutido apenas em conferências de mulheres.

Claro que nem todo mundo quer pular no mercado de trabalho e subir ao topo. A vida vai trazer várias reviravoltas e viradas, e cada um de nós, cada uma de vocês tem que forjar seu próprio caminho. Tenho profundo respeito por todos os meus amigos(as) que fizeram escolhas diferentes daquelas que fiz, que escolheram o trabalho realmente duro de educar crianças em tempo integral, que escolheram fazê-lo em tempo parcial, ou que escolheram perseguir carreiras não tradicionais. Estas são escolhas que vocês irão fazer algum dia, e são escolhas válidas.

Mas até este dia, façam tudo que podem para certificarem-se que quando este dia vier, vocês terão até mesmo uma escolha para fazerem. Porque o que tenho visto mais claramente nos meus 20 anos no mercado de trabalho é o seguinte: Mulheres quase nunca tomam uma decisão de deixar o mercado de trabalho. Não acontece desta forma. Elas tomam pequenas e minúsculas decisões ao longo do caminho que eventualmente as levam até lá. Talvez seja o último ano da escola de medicina quanto elas dizem, “Vou encarar uma especialidade ligeiramente menos interessante porque eu vou querer equilíbrio algum dia”. Talvez é no 5o ano em uma firma de advocacia quando elas dizem, “Eu nem mesmo estou certa se deveria ser uma sócia, porque eu sei que vou querer ter filhos eventualmente”.

Estas mulheres nem mesmo têm relacionamentos, e já estão encontrando equilíbrio, equilíbrio para responsabilidades que elas ainda não têm. E a partir daquele momento, elas começam de forma quieta a se recostarem. O problema é que frequentemente elas nem sequer se dão conta. Todo mundo que conheço deixou voluntariamente uma criança em casa e voltou ao mercado de trabalho – e vamos encarar, isso não é uma opção para a maioria das pessoas. Mas para as pessoas nesta audiência, muitas de vocês terão esta escolha. Todo mundo que fizer esta escolha irão dizer-lhes exatamente a mesma coisa: vocês só irão fazê-lo se seu emprego for atraente.

Se vários anos atrás você parou de se desafiare, você estará entediada. Se estiver trabalhando para um cara com quem costumava se sentar, e realmente, ele deveria estar trabalhando para você, você se sentirá desvalorizada, e você não voltará. Então, minha mensagem do fundo do coração para todas vocês é, e comecem a pensar sobre isso agora, não saiam antes que saiam. Não se recostem, caiam pra dentro. Pisem no acelerador e mantenham os pés lá até o dia em que tiverem que tomar uma decisão, e então tomem uma decisão. Esta é a única forma que, quando o dia chegar, vocês sequer terão uma decisão para ser tomada.

E a respeito da corrida corporativa em primeiro lugar ? Vale a pena ? Ou estão apenas comprando a definição de sucesso de outra pessoa ? Somente você pode decidir isso, e terão que decidir por várias vezes. Mas se concluírem que é uma corrida dos ratos, antes de pularem fora, respirem profundamente. Talvez tenham escolhido o emprego errado. Tentem novamente. E tentem novamente. Tentem até encontrarem algo que instiga sua paixão, um emprego que importa para você e para os outros. É um verdadeiro luxo poder combinar paixão e contribuição. É também um caminho muito claro para a felicidade.

No Facebook nós temos uma missão bastante ampla. Nós não queremos apenas que vocês postem todas as suas fotos desta noite e usem Facebook para manterem contato, apesar de queremos isso também, bastante de tudo isso. Nós queremos conectar todo o mundo. Nós queremos tornar o mundo mais aberto e transparente. Se há uma coisa que aprendi ao trabalhar com grandes empreendedores – Mark Zuckerberg no Facebook, Sergey Bring e Larry Page no Google – foi que se você deseja fazer a diferença, é melhor pensar e sonhar grande, logo a partir do primeiro dia.

Nós tentamos no Facebook manter todos os nossos colaboradores pensando grande todo dia. Nós temos este pôsteres em vermelho espalhados pelas paredes. Um diz, “A sorte está com os ousados”. Outro diz, “O que você faria se não tivesse medo ?”. Esta questão ecoa a ex-aluna Anna Quindlen, que disse que havia se graduado em falta de medo. Não deixe que seus medos soterrem seus desejos.Deixe que as barreiras que vocês encontrem – e existirão barreiras – sejam externas, não internas. A sorte está com os ousados, e eu prometo que vocês nunca saberão do que são capazes a menos que tentem.

Vocês irão sair deste palco hoje e irão começar sua vida adulta. Comecem mirando alto. Como todo mundo aqui, eu cultivo grandes esperanças para com os membros desta classe. Eu espero que vocês encontrem verdadeiro sentido, contentamento e paixão nas suas vidas. Eu espero que vocês naveguem os tempos difíceis e se saiam com grande força e determinação. Eu espero que qualquer que seja o equilíbrio que procurem, que o encontrem com os olhos bem abertos. E eu espero que vocês – sim, vocês – cada uma de todas vocês tenham a ambição de dominar o mundo, porquê o mundo precisa que vocês o dominem. Mulheres ao redor do mundo estão contando com vocês. Eu estou contando com vocês.

Eu sei que este é um grande desafio e responsabilidade, uma tarefa realmente assustadora, mas vocês podem executá-la. Vocês podem executá-la se caírem pra dentro. Então vão para casa hoje à noite e perguntem a si mesmas, “O que eu faria se não tivesse medo ?” E então partam para fazê-lo.

Parabéns, classe de 2011.

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