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Archive for the ‘Família’ Category

Idosos

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Papai me envia email com comercial do Gov. de Minas Gerais, em que Zezé de Camargo narra um conto de um idoso expulso de casa pelo filho, em função de desentendimentos com a esposa.

O texto é primoroso, como um bom e velho conto mineiro, com conteúdo que vai além da rima fácil, despertando reflexões e questionamentos sobre como lidamos com nossos velhos, sejam pais, avô/ós, outros familiares e amigos.

Embora a expulsão de casa seja um extremo, usado pelo comercial para realmente tocar o espectador, vale perguntar se a cada dia, nas pequenas interações cotidianas, não estamos(ou) cometendo uma pequena “expulsão” … na falta de paciência ao telefone, na rispidez do diálogo, na truculência de tomar para si algo para fazer pq. o idoso naturalmente leva mais tempo …

Sem contar que o  idade “idosa” não tem uma idade específica para começar. Assim como adolescentes não têm data específica para virar adultos, cada um de nós fica mais idoso a cada dia. Não é difícil olhar no espelho e ver que não temos mais o mesmo vigor de anos atrás, mas certamente temos muito mais “cancha” para saber que o que corre é a bola, e não o jogador.

Espero que gostem do vídeo, reflitam profundamente e compartilhem com os seus. E parabéns ao Governo de Minas Gerais por abraçar esta causa.

Bjks,

Fábio

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Futura vovó Fátia já tá aquecendo o gogó para canções de ninar para a/o Julieuca !

Para tanto, ela se juntou com algumas amigas no Coral da Unimed para a gravação de “O cio da Terra” no programa Frutos da Terra.

Lindo, lindo, mamãe cantora ! (Dúvida: cadê papai ? O Atlético Goianiense não deixa que ele mostre seus dons artísticos ?).

Curtam o vídeo:

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Eu adoro poesia.
Ela nos proporciona experiências e evoca sentimentos únicos, a partir do seu ritmo, da seleção das palavras, da força das rimas e do efeito da assertividade.
Isso ainda é mais verdade para alguém, como eu, cartesiano, Engenheiro de formação, estruturado, organizado, disciplinado. Em resumo, tido como um chato p/ quem não é tb. assim. 🙂 Amante dos To dos, que não deixa email sem arremate e resposta, sempre com próximos passos, replies e forwards, uma lógica por trás dos TOs, CCs, e BCCs.
Eu acho que isso é uma forma de arte, mas há quem não concorde. Tudo bem: equações matemáticas também não seriam vistas como obras de arte por muitos, até que eles visualizem os fractais que decorrem da sua plotagem em 3D.

Um exemplo ?
Isso …

… corresponde a isso:

Eu imaginava que samambaias pudessem nascer em tudo quanto é lugar, menos em uma equação matemática. 🙂

Alguns outros exemplos dos meus fractais favoritos estão nas imagens a seguir:

Um dos meus sites preferidos, o Redbubble permite comprar  posters e camisetas com várias imagens animais, fractais inclusos.Há  também um excelente software – o ChaosPro –  que permite a criação de fractais por meros mortais não iniciados. Eu já criei vários, que acho lindos igual pais acham lindos os rabiscos que os  filhos pequenos trazem da escovinha. Indecifráveis, ininteligíveis, longes da compreensão, mas perto do coração e tão eternamente seus. Vou poupá-los entretanto desta minha sublime forma de arte.

Voltando à poesia, muitos acham que sua beleza reside exatamente na simplicidade do texto. Singelo, desprovido de distrações visuais, ele guia o pensamento e a emoção. Entretanto, eu sempre senti que faltava algo para ilustrar o texto escrito. Sou visual, arquivo na memória o que meus olhos enxergam e me faltava ver, imprimir na retina, o que as palavras estavam transmitindo.

Foi por isso que adorei uma apresentação em Power Point enviada por minha tia Graciete, querida amiga dos meus pais em Goiânia. O slide show ilustra os versos de Clarice Lispector através de imagens artísticas centradas em … guarda-chuvas ! Muito legal.
Uma das primeiras imagens é de uma montagem de guarda-chuvas em Las Vegas, na ligação entre os hotéis The Venetian e Palazzo. Vejam algumas fotos que tiramos  no local na nossa última ida a Vegas :

Agora, sem mais delongas, curtam a poesia de Clarice Lispector em formato de slides ilustrados por guarda-chuvas:

Fábio

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Reflexões de um recém-avô


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Li hoje o texto do Drauzio Varella ao final deste post, com reflexões dele após o nascimento da neta.

Sou fã declarado do dr. Drauzio, que faz um trabalho fantástico, através de seus artigos em jornais, site pessoal, matérias no Fantástico e livros. Como médico oncologista e comunicador de TV e rádio, ele já fez mais pela saúde pública do que muito Ministro da Saúde sentado em um escritório com ar condicionado em Brasília.

Livros

Em particular, eu me deliciei com 3 dos seus livros: “Estação Carandiru”, que deu origem ao filme, em que ele relata seu trabalho voluntário junto a portadores de HIV no presídio já desativado; “O médico doente”, em que ele oferece um retrato de sua própria experiência com a proximidade da morte, após ter contraído febre amarela em uma viagem ao rio Negro, na Amazônia, e, por fim, o mais tocante, “Por um fio”, em que ele descreve situações delicadas, difíceis mesmo para quem lida com elas em sua rotina profissional: de um lado, a reação dos que se descobrem doentes, que vai da surpresa à revolta, do desespero ao silêncio e à aceitação; do outro, a atitude dos parentes, que varia da dedicação incondicional à pura mesquinharia, da solidariedade ao abandono.

livro_estacao_Carandiru.jpg livro_por_um_fio.jpg livro_medico_doente.jpg


Mas voltemos ao artigo sobre o nascimento da neta publicado no dia 30 Jan na Folha de São Paulo que, por ser restrito a assinantes, tomo a liberdade de incluir neste post. Eu ainda não tenho filhos – apesar de me sustentar com a paixão de 2 cachorrinhas LINDAS – mas fiquei tocado pelo texto. Se ser pai & mãe são uma experiência única, eu imagino o que é ser avô.

Minha mãe já está tricotando blusinhas e moletons de recém-nascidos, como quem sugere algo para os filhos e filhas que não os presenteiam com um netinho(a) desejado. Meu pai é pediatra, o que já diz tudo a respeito da sua paixão por crianças e bebês. Os tios e tias já são quase todos avôs e avós, muitos dos primos já estão com filhos, o que só contribui para aumentar a pressão.

Pelo visto, um neto(a) vai ser um belo álibi para arrastar os 2 velhos para ficar um bom tempo comigo nos EUA, já que em Campinas as vindas são raríssimas. 🙂

Curtam o artigo.

Fábio

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DRAUZIO VARELLA

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Bem-vinda

Sejam quais forem as raízes biológicas, o fato é que caímos de quatro diante dos netos




MINHA NETA acabou de nascer.

Não é a primeira, tive outra há cinco anos; uma menina de bons modos e olhar atento que encanta a família inteira. Curiosa a experiência de ser avô, perceber que a espiral da vida dá uma volta completa; a primeira que independe de nossa participação. Sim, porque até o nascimento de um neto os acontecimentos biológicos de alguma forma dependeram de ações praticadas por nós: nossos filhos só existem porque os concebemos, os fatos que constituíram a história de nossas vidas apenas ocorreram porque estávamos por perto; mesmo nossos pais só se transformaram em figuras carregadas de significado porque nos deram à luz.

Os netos, em oposição, vêm ao mundo como consequência de decisões alheias, nasceriam igualmente se já nos tivéssemos ido. A idéia de nos tornarmos seres biologicamente descartáveis é incômoda, porque nos confronta com a transitoriedade da existência humana: viemos do nada e ao pó retornaremos, como rezam os ensinamentos antigos.
Por outro lado, liberta do compromisso de transmitirmos às gerações futuras os genes que herdamos das que nos precederam, força da natureza que reduz a essência da vida na Terra (e em qualquer planeta no qual ela porventura exista ou venha a existir) ao eterno crescei, competi e multiplicai-vos, como ensinaram Alfred Wallace e Charles Darwin. A sensação de que nos livramos dessa incumbência biológica, entretanto, não nos torna imunes ao ensejo de proteger os filhos de nossos filhos como se fossem extensões de nós mesmos. Somos impelidos a fazê-lo não por senso de responsabilidade familiar ou por normas de procedimento ditadas por imposições sociais, mas por ímpetos instintivos irresistíveis.

Os biólogos evolucionistas afirmam que a seleção natural privilegiou nas crianças uma estratégia de sobrevivência imbatível: a beleza. Fossem feias e repugnantes, não aguentaríamos o trabalho que nos dão, porque cavalos e bezerros ensaiam os primeiros passos ao ser expulsos do útero materno, enquanto filhotes de primatas como nós são dependentes de cuidados intensivos por anos a fio.
Dizem eles, também, que o amor dos avós conferiu maior chance de sobrevivência aos bebês que tiveram a sorte de contar com ele, razão pela qual esse sentimento teria persistido em nossa espécie. Pelo mesmo motivo, explicam as vantagens evolutivas conferidas pela menopausa, fase em que a mulher já infértil reúne experiência e disponibilidade para ajudar os filhos a cuidar da prole.


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Sejam quais forem as raízes biológicas, o fato é que caímos de quatro diante dos netos. Por mais voluntariosos, mal-educados, egoístas, temperamentais e pouco criativos que os outros os julguem, para nós serão lindos, espertos, de boa índole e, sobretudo, inteligentes como nenhuma outra criança.

Anos atrás, surpreendi um amigo ao telefone perguntando para o neto como fazia o boizinho do sítio em que o menino de dois anos se encontrava. A cada “buuuu” que ouvia, meu amigo ria de perder o fôlego. Diante do riso exagerado, perguntei como reagiria quando a criança relinchasse. Você verá quando for avô, respondeu. Tinha razão. Os netos surgem em nossas vidas quando estamos mais maduros, menos preocupados em nos afirmar, mais seletivos afetivamente, desinteressados de pessoas que não demonstram interesse por nós, libertos da ditadura que o sexo nos impõe na adolescência e cientes de que não dispomos mais de uma vida inteira para corrigir erros cometidos, ilusão causadora de tantos desencontros no passado.

A aceitação de que não temos diante de nós todo o tempo do mundo cria o desejo de nos concentrarmos no essencial, em busca do máximo de felicidade que pudermos obter no futuro imediato. A inquietude da inexperiência e os desmandos causados por ela dão lugar à busca da serenidade. Fase inigualável da vida, quando abandonamos compromissos sociais para brincar feito crianças com os netos, sem nos acharmos ridículos. Ajoelhar para que montem em nossas costas, virar monstros, onças ou dinossauros em obediência ao que lhes dita a imaginação aventureira, preparar-lhes o jantar que não comerão, assistir aos desenhos animados da TV, ler histórias na cama quando estão entregues, beijar-lhes o rosto macio, sentir-lhes o cheiro do cabelo e a respiração profunda ao cair no sono.

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